Professor Orientador: Rubens Moraes de Sousa



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

modernismo


 

FLORBELA ESPANCA

Florbela de Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa (Alentejo), em 8 de dezembro de 1894. Em Évora, faz estudos secundários e escreve poemas reunidos postumamente no volume Juvenília (1931). Casa-se então e é infeliz. Vai para Lisboa estudar Direito (1919). Nesse mesmo ano, publica seu primeiro livro de poemas, o Livro de Mágoas, que não provoca maior interesse por parte da crítica. Um segundo volume, o Livro de Sóror Saudade ( 1923), também passa despercebido. Separa-se do marido e tenta debalde uma nova experiência matrimonial. Deprimida, desiludida e doente, retira-se do convívio social e entra a cultivar os raros amigos que lhe restam; mal colabora em jornais ou revistas, com breves composições. Recolhe-se a Matosinhos, em busca de melhora, alentada agora por um novo casamento com um homem à altura do seu talento. Mas é tarde: na noite de 7 para 8 de dezembro de 1930, falece naquela cidade, enquanto dorme profundamente graças à ingestão excessiva de barbitúricos. Suicídio? Acidente? Não se sabe o certo.

" Foi uma sonetista com laivos anterianos e de António Nobre, é uma das mais notáveis personalidades líricas isoladas, pela intensidade de um emotivo erotismo feminino, sem precedentes entre nós, com tonalidades ora egotistas ora de uma sublimada abnegação que ainda lembra Sóror Miranda, ora de uma expansão de amor intenso e instável visando Deus através dos homens, que se vai casar com a ardência da charneca natal. Em 1978, tinham saído 23 edições dos Sonetos Completos, além de contos onde domina a figura do irmão, que morreu como aviador; precede, portanto, de longe e estimula um mais recente movimento de emancipação literária da mulher, exprimindo nos seus acentos mais patéticos a imensa frustração feminina de nossas opressivas tradições patriarcais.

( crítica de António José Saraiva em História da Literatura Portuguesa)


 


 


 


 


 


 

Não ser

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...


 

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura do linho

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Os versos que te fiz

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.


 


 

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...


 


 


 


 


 


 


 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior


 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


 

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...


 

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
...

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»

O nosso mundo

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!..


 

14 comentários:

Unknown disse...

Gostei do trabalho do grupo! Enfatizaram Florbela Espanca, o que pôde ampliar os meus conhecimentos a respeito. Achei curiosa a cidade onde Florbela Espanca morreu..."Matosinhos"....Gostei. Aliás...só faltou uma coisinha no trabalho de vcs...o nome dos integrantes do grupo. Bjs

Letras 6NA disse...

Parabéns.

Adorei o conteúdo de vocês, pois trata do assunto com muita clareza e ótima explanação do tema.

Bjsss
Patricia RA:132566

Letras 6NA disse...

O grupo está de parabéns, um trabalho bom e bem feito com bastante informações úteis para nós.

Adriano RA:132809

Dani Neri disse...

Muito bom! só faltou o nome dos integrantes do grupo!
:)

Daniela Neri
RA 133770

Priscila Cano disse...

Muito Bom
Priscila
ra 133048

Unknown disse...

Parabéns pelo trabalho!!!!!!
Florbela Espanca foi muito bem lembrada neste post. Apesar de não ter sido tão conhecida é uma excelente sonetista, como foi mencionado!!
Parabéns pelas informações!!!!!!!!

Sol (Solange) R.A.: 134318

Anônimo disse...

Olá grupo,
foi muito boa a explanação sobre a Florbela Espanca.
É muito bom citar que nesse período a mulher começa a aparecer na literatura e na arte, tanto em Portugal quanto no Brasil.

Tanto é assim, que a Florbela inicialmente usava pseudônimos masculinos em alguns de seus textos...

BJOKAS SU RA:132324

Lili Santos disse...

parabéns ao grupo! adorei os poemas!
Aline Santos
RS 165419

Kátia disse...

Parabéns !!!
Gostei muito do trabalho e da sugestão de sites para a pesquisa.

RA:165400

Letras 6NA disse...

Trabalho muito bom, de fácil entendimento :) mto completo, adorei! Parabéns ao grupo!

Cida - RA 134812

Letras 6NA disse...

Parabéns ao grupo,
Trabalho excelente, muito bem elaborado de facil entendimento .

Susi RA:136832

Antonio disse...

Gostei
facil leitura com poesias maravilhosas

Antonio disse...

faltou o ra

Fagner, disse...

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim... :( ... entendam como seus corações vivos puderem chocar...

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