Momento Histórico.
O período que vai de 1890 a 1915 é marcado por inúmeras tendências literárias e filosóficas, representando, no geral, a superação das teses centrais divulgadas pela geração de 70. Aliás, muitos autores realistas já não endossam mais aquelas idéias radicais, como se pode ver pelo modo como Antero de Quental e Eça de Queirós, por exemplo, revêem suas posições intelectuais.
Durante o século XIX a Europa era, em quase sua totalidade, Imperialista. A Europa estava em pleno expansionismo em direção aos países da África, Ásia e América Latina. E em pouco tempo, 3/5 das terras do globo passaram para o domínio europeu. E, nesta mesma época, havia a política das alianças, liderada pela Inglaterra de um lado e pela Alemanha do outro. E em função disto, a Europa começou a investir no crescimento bélico de suas nações, estando eles às vésperas da primeira guerra mundial. Para essa crescente militarização, os historiadores dão o nome de "Paz Armada". Esse era o contexto histórico onde nasceu o Simbolismo.
Origem e conceito
Com início na França o Simbolismo, ocorreu entre o fim do século XIX e início do século XX, manifestando-se principalmente no satanismo e no spleen de As Flores do Mal, do poeta Charles Baudelaire. Baudelaire fora tão importante para o início do simbolismo que alguns estudiosos apontam Edgar Allan Poe como precursor desse movimento, por ter influenciado as obras do autor. Além do estilo Baudelaire destacou-se também: o mistério e a destruição da linguagem linear de Um lance de Dados e de Tardes de um Fauno de Stéphane Mallarmé; o marginalismo de Outrora e Agora, de Paul Verlaine e o amoralismo de Uma Temporada no Inferno, de Jean Nicolas Rimbaud.
Charles Baudelaire: principal representante do simbolismo na literatura
O Simbolismo é uma tendência literária da poesia e outras artes, contemporâneo ao Parnasianismo e, por vários aspectos, ligado ao romantismo. A escola surgiu como oposição ao Realismo, ao Naturalismo e ao Positivismo devido aos escritores passarem a considerar que os procedimentos destas escolas não conseguiam expressar completamente o que acontecia com o homem e a Natureza.
O simbolismo é compreendido porque está inscrito no contexto sócio-cultural decorrente da Revolução Francesa e de algumas doutrinas romântico-liberais. Os autores simbolistas buscam expressar o “eu”, ou seja, procuram expressar o que sentem explorando-os a si mesmo, tentando buscar a intimidade de cada um, mostrando isso através de recursos como: as vivências, a lógica, o sonho a alucinação ou a psicanálise, ultrapassando assim, os românticos.
Marcadamente individualista e místico, foi com desdém apelidado de "decadentismo" - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em 1886 um manifesto trouxe a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo.
CARACTERÍSTICAS DO SIMBOLISMO
Misticismo e espiritualismo – A fuga da realidade leva o poeta simbolista ao mundo espiritual. É uma viagem ao mundo invisível e impalpável do ser humano. Uso de vocabulário litúrgico: antífona, missal, ladainha, hinos, breviários, turíbulos, aras, incensos.
Falta de clareza – Os poetas achavam que era mais importante sugerir elementos da realidade, sem delineá-los totalmente. A palavra é empregada para ter valor sonoro, não importando muito o significado.
Subjetivismo – A valorização do “eu” e da “irrealidade”, negada pelos parnasianos, volta a ter importância.
Os simbolistas terão maior interesse pelo particular e individual do que pela visão mais geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e sim está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do "eu", buscam o inconsciente, o sonho.
Musicalidade – A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista. Para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como por exemplo a aliteração, que consiste na repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal, e a assonância, caracterizada pela repetição de fonemas vocálicos:
Aliteração – Repetição seqüencial de sons consonantais. A seqüência de palavras com sons parecidos faz que o leitor menospreze o sentido das palavras para absorver-lhes a sonoridade. É o que ocorre nos versos seguintes, de Cruz e Sousa (poeta brasileiro):
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpia dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes,
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
(Violões que Choram)
Assonância – É a semelhança de sons entre vogais de palavras de um poema.
Sinestesia – Os poetas, tentando ir além dos significados usuais das palavras, terminam atribuindo qualidade às sensações. As construções parecem absurdas e só ganham sentido dentro de um contexto poético. Vejamos algumas construções sinestésicas: som vermelho, dor amarela, doçura quente, silêncio côncavo.
Maiúsculas no meio do verso – Os poetas tentam destacar palavras grafando-as com letra maiúscula.
Transcendentalismo
Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade. Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso. O fato de preferirem as palavras névoa, neblina, e palavras do genêro, transmite a idéia de uma Obsessão pelo branco (outra característica do simbolismo)
Cor branca – Principalmente Cruz e Sousa, poeta do simbolismo brasileiro, tinha preferência por brancuras e transparências.
O Simbolismo em Portugal
Com a publicação de Oaristos, de Eugenio de Castro, em 1890, inicia-se oficialmente o Simbolismo português, durando até 1915, época do surgimento da geração Orpheu, que desencadeia a revolução modernista no país, em muitos aspectos baseada nas conquistas da nova estética.
Conhecidos como adeptos do Nefelibatismo (espécie de adaptação portuguesa do Decadentismo e do Simbolismo francês), e, portanto como nefelibatas (pessoas que andam com a cabeça nas nuvens), os poetas simbolistas portugueses vivenciam um momento múltiplo e vário, de intensa agitação social, política, cultural e artística. Com o episódio do Ultimatum inglês, aceleram-se as manifestações nacionalistas e republicanas, que culminarão com a proclamação da República, em 1910.
Portanto, os principais autores desse estilo em Portugal seguem linhas diversas, que vão do esteticismo de Eugênio de Castro ao nacionalismo de Antônio Nobre ou a prosa simbolista de Raul Brandão, até atingirem maioridade estilística com Camilo Pessanha: o mais importante poeta simbolista português.
Camilo Almeida Pessanha (Coimbra, 7 de Setembro de 1867 — Macau, 1 de Março de 1926) foi um poeta português, considerado o expoente máximo do Simbolismo em língua portuguesa, além de antecipador do princípio modernista da fragmentação[1].
Vida
Tirou o curso de Direito em Coimbra. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado em 1900 conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas sido apresentado a Fernando Pessoa que era, como Mário de Sá-Carneiro, grande apreciador da sua poesia.
Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições saíram em 1945, 1954 e 1969.
Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa. Camilo Pessanha morreu no dia 1 de Março de 1926 em Macau.
Características estéticas
Além das características simbolistas que sua obra assume, já bem conhecidas, Camilo Pessanha antecipa alguns princípios de tendências modernistas.
Camilo Pessanha buscou em Charles Baudelaire, proto-simbolista francês, o termo “Clepsidra”, que elegeu como título do seu único livro de poemas, praticando uma poética da sugestão como propsta por Mallarmé, evitando nomear um objeto direta e imediatamente.
Por outro lado, segundo o pesquisador da Universidade do Porto Luís Adriano Carlos, o seu chamado "metaforismo" entraria no mesmo rol estético do imagismo, do inteseccionismo e do surrealismo, buscando as relações analógicas entre significante e significado por intermédio da clivagem dinâmica dos dois planos.
Junto de sua fragmentação sintática, que segundo a pesquisadora da Universidade do Minho Maria do Carmo Pinheiro Mendes substitui um mundo ordenado segundo leis universalmente reconhecidas por um mundo fundado sobre a ambiguidade, a transitoriedade e a fragmentação, podemos encontrar na obra de Camilo Pessanha, de acordo com os dois autores citados, duas características que costumam ser mais relacionadas à poesia moderna que ao Simbolismo mais convencional.
Componentes: Antonio Macedo - Denis Bottoni - Ivo Leonardo - Roberto Rocha
28 comentários:
Meninos,
O texto está muito claro, conciso e coeso. O que facilita o entendimento.
Adorei o comentário sobre Monet que é um de meus pintores favoritos... nessa época também tinha o Odilon Redon que é maravilhoso!
E Cruz e Sousa com Violões que choram, realmente ele representa bem os sons dos violões...
Os vídeos são muito bons!!!
Parabéns!
Bjokas SU RA: 132324
Parabéns.
Adorei o conteúdo de vocês, pois trata do assunto com muita clareza e ótima explanação do tema.
Bjsss
Patricia RA:132566
Oiiiiiiii! Gostei do trabalho de vocês, achei muito interessante e explicativo o vídeo da professora. Parabéns.
Elaine. RA 135105
Gostei do trabalho de vocês, porque esta muito fácil de entender.
Marizete RA:134620
Aprovado! Bem legal...completo e objetivo.. Parabens aos meninos!
Oi meninos adorei o trabalho de vocês. Abordaram o tema de uma forma muito rica de informações. Só para enfatizar, na época do Simbolismo a República se instalava no Brasil e o movimento foi abafado pelos parnasianos que dominavam a produção literária da época. Outro adendo é no ramo da ciência onde Freud com a sua Psicologia do Inconsciente se sobressai e ganha destaque. Já sobre as características, no geral, pode-se dizer que a religiosidade é o grande "sentimento" deste movimento literário glorioso que abriu a mente para muitos outros fatos significantes para o ser humano. PARABÉNS pelo trabalho!!!!!!!!!!!!
Sol (Solange) R.A.: 134318
Olá parabéns pelo trabalho.
Excelente trabalho e com uma riqueza de informação incrível!! Parabéns
Andréa RA: 134616
Movimento simbolista é fascinante, por vários fatores, como por exemplo:Originalidade em seus temas.
O grupo soube adequar exatamente as influências,características e seus principais autores.
Parabéns !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Grata.
Emile
RA: 132733
Parabéns!!!
Laura Ra; 136298
Parabéns,gostei muito do trabalho,está bem explicativo,aprecio o simbolismo principalmente pela musicalidade dos poemas,embora seja difícil interpretá-los.
Roseli RA:165393
oi meninos tudo bem?
Gostei muito do trabalho de vocês, e tambem adorei o vídeo da professora. Parabéns.
fatima ra 135271
Parabéns ao grupo, excelente trabalho.
Susi RA:136832
Muito bacana o matl. postado por vcs. Gostei muito dos vídeos tambén, que vieram a complemetar o que vcs escreveram.
Parabéns.
Bjs.
Mônica 133056
mais um post interessantíssimo!
esse blog já é referência!
parabéns pelo trabalho, meninos! =D
Aline Santos
RA 165419
Olá,
Excetente trabalho, vocês conseguiram explorar o tema de forma precisa e objetiva. O Simbolismo é um movimento cheio de preciosidades literárias, as características e os artistas desse período foram apresentados de forma clara e satisfatória, percebe-se que vocês pesquisaram realmente. Estão de parabéns.
Aersi, RA - 135413
Olá garotos prodígio!
As bases filosóficas do simbolismo são bem retratadas nas palavras de Kiekegaard (filósofo dinamarquês) –o homem passa por três estágios em sua existência – estético (presença do novo), ético (gravidade e responsabilidade da vida) e religioso (relação com Deus). Também Bergson (Nobel de Literatura de 1928) – não é a inteligência que chega a compreender a vida. É a intuição.
O Simbolismo é isso: manifestações metafísicas e espirituais,buscando a essência do ser humano, a alma.
Parabéns! O trabalho ficou ótimo!
Gostoso de ler.
"Temos a arte para não morrer da verdade".
Friedrich Nietzsche
Cida
RA 134.924
Oi pessoal!!
O trabalho está maravilhoso parabéns para todos.
Zuleide RA 133224
Olá meninos! Acho q o prof. Rubens também irá chorar com a apresentação de vcs hehehehe. Eu não chorei mas fiquei alegre em ver esse trabalho, muito bom.
Sheila R.A. 135903
Pessoal,
o trabalho está muito bom, vocês sintetizaram bem o movimento simbolista. Gostei dos vídeos também, tudo está muito bom.
Vanessa RA 136231
Parabéns pelo trabalho, ficou maravilhoso.As informações são claras e precisas.Ótima fonte para estudar e pesquisar.
RA: 165400
Parabéns
Este trabalho ficou objetivo e de uma clareza que facilitou a leitura e o entendimento de todo o texto.
Parabens, foi um dos q + gostei, trabalho bem completo, Parabéns ao grupo!
Cida - RA 134812
Parabens, foi um dos q + gostei, trabalho bem completo, Parabéns ao grupo!
Cida - RA 134812
Parabéns pelo trabalho, as informações são claras e precisas!
Laura Ra; 136298
O Baudelaire inspirou Camilo Pessanha e ainda dizem que ele não batia bem...
Gostei desse texto de vocês...
135905
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