Professor Orientador: Rubens Moraes de Sousa



domingo, 19 de setembro de 2010

9º Grupo - Modernismo em Portugal

Modernismo em Portugal


No início do séc. XX as revistas culturais foram o principal meio de divulgação das transfor-mações sofridas pela arte. No ano de 1910 surgiu, em Portugal, a revista mensal "A Águia", dirigida por Teixeira Pascoaes. O objetivo dessa revista era ressuscitar a Pátria Portuguesa a partir do saudosismo, ou seja, por uma espécie de retomada das tradições do País.
O período em que a revista "A Águia" circulou é conhecido também como Saudosismo. Por ser um momento de transição, uma vez que em 1915 surge a revista "Orpheu", marco inicial do Modernismo português, esse período também pode ser classificado como Pré-Modernismo.

O Modernismo em Portugal é difícil de ser estruturado. Alguns estudiosos dividem-no em dois, três e até mesmo em quatro momentos. Quanto ao primeiro e segundo momentos não há divergências entre esses estudiosos, mas as duas outras fases geram muitas controvérsias.
Após muita pesquisa, optou-se em dividir o período Modernista português em duas partes: Primeiro Momento ou Orphismo e Segundo Momento ou Presencismo. As duas outras fases são classificadas como Neo-realismo e Surrealismo.

Isto justifica-se porque os escritores da fase Neo-realista repudiam a literatura psicológica e propõem uma literatura de caráter social, muito próxima à praticada pelos autores Realistas. Já os escritores da fase Surrealista são influenciados pelas teorias de Andre Breton, idealizador do Surrealismo.
Devido a todas estas circunstâncias, o ano de 1940, quando o grupo da Presença se desintegrou, é considerado o término do período Modernista em Portugal.


O MODERNISMO em Portugal tem início oficial no ano de 1915, quando um grupo de escritores e artistas plásticos lança o primeiro número da
"Orpheu", revista trimestral de literatura. Esse grupo é composto por Mário de Sá-Carneiro, Raul Leal, Luís de Montalvor, Almada Negreiros o brasileiro Ronald de Carvalho e, entre outros, o fantástico e polêmico, Fernando Pessoa e seus heterônimos (Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro).





Segundo Luís de Moltalvor, Orpheu "é um exílio de temperamentos de arte que a querem como a um segredo ou tormento". Ainda conforme Moltalvor, a pretensão dos integrantes da Orpheu "é formar, em grupo ou ideia, um número escolhido de revelações em pensamento ou arte, que sobre este princípio aristocrático tenham em Orfeu o seu ideal esotérico e bem nosso de nos sentirmos e conhecermos".
Esses jovens artistas, também conhecidos como Orfistas, foram influenciados pelo Futurismo de Marinetti; pelo Institucionalismo de Henri Bérgson, cuja linha de pensamento só admitia o conhecimento natural e espontâneo e dizia não à ciência e à técnica; e pelos ensinamentos de Martin Heidegger, que colocava a existência individual como determinação do próprio indivíduo e não como uma determinação social.

Os objetivos principais dos orfistas eram:
- Chocar a burguesia com sua obra irreverente (poesias sem metro, exaltando a modernidade);
- Tirar Portugal de seu descompasso com a vanguarda do resto da Europa.

Logo no primeiro número, publicado em Abril de 1915, os orfistas conseguiram criar o ambiente de escândalo desejado, graças a críticas violentas, que podem ser encontradas nos poemas "Ode triunfal" de Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa) e "Manucure" de Mário de Sá-Carneiro.
Esse primeiro número esgotou-se em apenas três semanas graças a um sucesso "negativo": as pessoas que compravam a revista ficavam horrorizadas e despejavam sua ira contra os seus colaboradores.
Armando Cortes Rodrigues, um dos membros da Orpheu, conta que os orfistas eram constantemente ironizados e chamados de loucos.
O segundo e último número da revista Orpheu foi lançado em Julho de 1915, com conteúdos bem mais futuristas. O terceiro número chegou a ser planejado, mas não foi editado por causa do suicídio de Mário de Sá-Carneiro, responsável pelos custos da revista.


Essa primeira geração Modernista, surgida no meio da Primeira Guerra Mundial, foi nitidamente influenciada pelos vários manifestos de vanguarda europeus. Esse talvez seja o
motivo principal dos autores desse período apresentarem individualidades muito fortes e não seguirem um padrão estético linear.
Apesar do precoce desaparecimento da "Orpheu", a revista deixou uma rica herança, uma vez que surgiram várias outras revistas que, a grosso modo, foram seguidoras do orphismo e que tiveram duração efêmera, ou seja, duraram pouco. Foram elas:
Centauro (1916); Exílio (1916); Ícaro (1917);





Portugal Futurista (1917)
 

Ainda nesse primeiro momento do Modernismo português surgiram as figuras de Aquilino Ribeiro e Florbela Espanca. Nomes de destaque na literatura portuguesa, que não tiveram ligação com nenhum dos momentos modernistas. Para o professor de Literatura Portuguesa
Massaud Moisés esses dois poetas são enquadrados em um momento literário que classifica como "Interregno".


O segundo momento Modernista surgiu da herança deixada pelo orphismo. A revista literária "Presença", que teve o primeiro exemplar publicado em 10/03/1927, foi o meio divulgador das ideias desse grupo, também conhecido como presencismo.

A revista Presença foi fundada e editada por Branquinho da Fonseca. Em 1930, quando a revista já estava no número 27, Branquinho da Fonseca, por considerar haver imposição de limites à liberdade criativa, abandona a direção da revista, que fica a cargo de Adolfo Casais Monteiro.
Dentre os seus principais colaboradores destacam-se as figuras de José Régio, Adolfo Rocha, João Gaspar Simões, Miguel Torga, Irene Lisboa, entre outros.
Além de dar continuidade às ideias do orphismo e de eleger os membros desse período como "mestres", os presencistas pregavam uma literatura mais intimista e artística.
Isso quer dizer que a literatura defendida por esse grupo estava voltada para uma análise interior e para a introspecção.
Por causa dessas posturas os presencistas tiveram algumas dissidências e receberam muitas críticas, baseadas nos exageros do individualismo e do esteticismo.
A revista Presença foi, em Portugal, o principal veículo divulgador das principais obras e escritores europeus da primeira metade do século. Além disso destaca-se ainda o espírito crítico de seus fundadores e de alguns de seus colaboradores. Graças a esse espírito, muitos estudiosos consideram o Presencismo como um movimento mais crítico do que criador.
No ano de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, o grupo presencista encerra suas atividades. Encerrando também o Modernismo em Portugal.
Para alguns estudiosos, o Modernismo português ainda teve mais uma ou até duas fases, que são aqui classificadas como Neo-realismo e Surrealismo.






Fernando Reis de Campos Caeiro Pessoa”

Grande poeta português e mundial, enigmático e inigualável. Um verdadeiro mestre, um artista em mistério, dono de uma das obras mais significativas já escritas na língua portuguesa. Vivenciou os primórdios do modernismo, era um observador, demonstrava interesse em entender o mundo a sua volta, estudou astrologia e ocultismo, foi um transformador, ele rompeu com as tradições e aderiu ao que tinha de mais moderno pra época.
Vivenciou momentos em que sensações como a inquietude e a angustia reinavam na Europa e no mundo em razão da guerra mundial. E ao contrário de seu amigo Sá-Carneiro que ao alcançar o auge de suas produções literárias suicida-se, por não ter um suporte, algo mais que o satisfaça, em face da realidade, Pessoa foge desta linha de raciocínio, e é salvo pelo seu bem maior em vida “A Literatura”. Para Pessoa, a arte era escrever, filosofar, porém não só pensar, era preciso sentir, ser tudo e todos para então compreender o mundo.
Apesar de ter cursado Filosofia e abandonado o curso antes de concluí-lo, o poeta se assemelha a um filósofo pelo seu intelectualismo profundo, mas o diferencia deste, pois os seus conhecimentos de mundo são baseados em emoções, até porque nunca saiu de Lisboa após sua chegada definitiva de Durban, em 1905, com 17anos.
Pelas poesias a sua maneira, se tornou singular na Literatura Portuguesa, com estilos diferenciados, multi-divididos e muita criatividade seu destaque realmente está em suas poesias pela questão da heteronímia, entre o ser e não Pessoa. “O poeta é um fingidor” assim ele o disse, e demonstrou-o em suas criações literárias. 

 



O ponto central da minha personalidade como artista é que sou um poeta dramático; tenho continuamente, em tudo quanto escrevo, a exaltação íntima do poeta e a despersonalização do dramaturgo. Vôo outro- eis tudo” .

Biografia

Nasceu em Lisboa, a 13 de junho de 1888. Foi educado em Durban, e ali se tornou bilíngue. Retornou definitivamente a Portugal, em 1905. Cursou Letras por um período breve (1906-1907). Foi tradutor de Inglês e Francês (profissão). Morou em quartos de pensões e aluguéis. Tentou abrir uma tipografia, mas sem sucesso, em 1907. Estudou filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna.
Em 1912, conheceu Mário Sá-Carneiro de quem se tornou grande amigo. No ano 1916, o amigo Sá-Carneiro anunciou por carta, que iria suicidar-se. Pessoa recebeu a última carta do amigo em 18 de abril. Em 1920, namora Ophélia Queiroz (interrompido nesse mesmo ano e retoma para definitivamente terminar, em 1929). E neste ano escreve cartas de amor.
Em 1930, troca correspondências com o mago inglês Aleister Crowley, em setembro tem a visita do mago, que desaparece em circuntâncias misteriosas. E meses depois Pessoa dá depoimento no “Notícias Ilustrado” sobre o desaparecimento.
Em 1933, passou por uma grave crise de neurastemia. Faleceu em 30 de novembro de 1935, vitimado por cólica hepática.

Influências Literárias

Grandes nomes destacam-se entre eles, os portugueses: Padre Antonio Vieira, pregador português do estilo barroco conceptista, com a obra Os Sermões, que desempenhou um papel determinante na vida de Pessoa, em sua “naturalização” como português, e Cesário Verde, escritor realista, cujas poesias retratam o cotidiano. Lia autores ingleses especialmente Milton, e autores franceses como Baudelaire. Outra forte de influência na vida de Pessoa foi Teixeira Pascoaes, escritor nacionalista e visionário da revista A Águia, fundada em 1910, revista que Fernando atuou como colaborador. 
 
Vida Literária





Despertou o dom de escrever muito cedo, mas inicia-se na vida literária portuguesa ao discutir literatura nos bares e cafés, e concomitantemente com o movimento saudosista de resgate aos valores portugueses.




  • Fernando escreve poesias em inglês em 1901.
  • Em 1904, ganha o prêmio Rainha Vitória, ensaio de inglês.


Participantes: Elaine Bossoni, Emile Farias, Fátima Almeida, Joelma Almeida, Marizete Romano e Raquel Amorim.


20 comentários:

Unknown disse...

Olá grupo! Achei o trabalho de vcs bem completo, com imagens, vídeos e com um texto fácil de ser compreendido. Além de tudo,ler sobre Fernando Pessoa, é sempre mto bom.
Bj,
Mônica

Letras 6NA disse...

Parabéns.

Adorei o conteúdo de vocês, pois trata do assunto com muita clareza e ótima explanação do tema.

Bjsss
Patricia RA:132566

Letras 6NA disse...

O grupo está de parabéns, um trabalho bom e bem feito com bastante informações úteis para nós.

Adriano RA:132809

Dani Neri disse...

Parabéns ao grupo... adorei o conteúdo sobre Fernando Pessoa!
:)

Daniela Neri
RA 133770

Priscila Cano disse...

Adorei
Priscila
Ra 133048

Unknown disse...

Olá grupo, Parabéns!!!!!
Falar sobre o Modernismo e não falar de Fernando Pessoa, é impossível. Ele é um dos grandes nomes deste movimento que trouxe inúmeras transformações tanto artísticas quando literárias e que perduram até hoje refletindo nas tendências contemporâneas.. Além dele é claro, não podemos deixar de falar de Sá-Carneiro que também foi um grande nome juntamente com Pessoa. Adorei o trabalho. Dica para os professores: no youtube tem um vídeo da Adriana Calcanhoto cantando um poema de Sá-Carneiro, chamado "O outro", vale a pena trazer um poema musicado para as salas de aula. Parabéns pelo trabalho!!!!!!!!!

Sol (Solange) R.A.: 134318

Lili Santos disse...

trabalho completo, parabéns!
as imagens em todo o post deram um visual especial!
parabéns pelo trabalho, de verdade!
Aline Santos
RA 165419

Letras 6NA disse...

Abraços para todos nós !!!!!!!!
Emile

Anônimo disse...

Olá meninas,
muito bom o trabalho, a pesquisa está muito completa, simples, concisa e coesa

Vocês colocaram tudo de uma forma agradável de ser lida.

É bom ressaltar que no Brasil a música erudita dessa época contou com Villa Lobos um grande Maestro nacional.

Bjokas SUSAN RA: 132324

Ao sabor da Leitura disse...

Olá meninas!

Muito bons os vídeos! deixa o trabalho mais suave, mais gostoso.
A leitura é gostosa, as gravuras contribúem e muito para o dinamismo do texto. Embora eu não aguente mais falar sobre modernismo...rsrsrsrs

Pessoa - louco sim - mas incomparável não é?

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo".
Fernando Pessoa

bjs

Cida
RA 134924

Letras 6NA disse...

Parabéns para o grupo,o trabalho está muito bom, e falar de Fernando Pessoa é sempre uma informação indispensável para os apreciadores da Literatura. O Medernismo é cheio de muitas polêmicas e renovações para a Literatura e a Arte em geral.
Muito bom.

Aersi, RA - 135413

Letras 6NA disse...

Muito bom, exploraram bem o grande nome do Modernismo Português: Fernando Pessoa!

Sheila
R.A. 135903

Vanessa Aragon disse...

Olá pessoal,

todos na sala adoramos Fernando Pessoa. Vocês foram muito felizes no conteúdo e nos vídeos, fizeram juz ao Modernismo!
Parabéns a todos!
Beijos
Vanessa RA 136231

Anônimo disse...

Adorei o conteúdo sobre Fernando Pessoa,que dispensa comentários.Parabéns
Roseli RA:165393

Flores disse...

Ogrupo está de parabéns. Adorei o trabalho, principalmente os videos.

bjs. Karen - RA 165420

marli - RA 165392 disse...

Parabéns pelo trabalho ficou muito bom pra mim nenhum outro autor português ultrapassa no Brasil a presença e a importância de Fernando Pessoa.

Letras 6NA disse...

Adoro Fernando Pessoa, trabalho mto bom e completíssimo, adorei! Parabéns ao grupo!

Cida - RA 134812

Letras 6NA disse...

Parabéns ao grupo,
Trabalho excelente, muito bem elaborado, rico em informações e de facil entendimento

Susi RA:136832

Antonio disse...

Parabens
texto e videos muito bom
e Fernando Pessoa é maravilhoso.

Fagner, disse...

Pessoa está para o Joaquim assim como o Machado está para o Ivanilson...

Vamos ao Museu da Língua Portuguesa ver essa Pessoa, povo!

135905